No período de 23 a 27 de março, ocorreu o IV Seminário do Centro de Estudos sobre Sustentabilidade, Populações Tradicionais e Educação na Amazônia (Cespe), na Universidad Nacional de Colombia, campus de La Paz, em Valledupar. O evento reuniu pesquisadores e instituições em torno de debates sobre sustentabilidade, populações tradicionais, educação e cooperação internacional.

Durante a programação, uma missão técnica realizada no território do Rio Magdalena (Depressão Momposina), na Colômbia, trouxe à tona experiências de resistência, inovação socioecológica e transformação territorial em comunidades ribeirinhas marcadas pela relação histórica entre terra e água. A viagem foi realizada pelo professor Aquiles Simões, docente do Núcleo de Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará (NUMA/UFPA), no âmbito do IV Seminário do Centro de Estudos sobre Sustentabilidade, Populações Tradicionais e Educação na Amazônia.

A agenda reuniu visitas de campo, encontros institucionais e debates sobre sustentabilidade, populações tradicionais e educação, articulando cooperação internacional e projetos conjuntos entre instituições latino-americanas.

Além do trabalho de campo, foi negociada a realização de um novo convênio com Universidad Nacional de Colombia, fortalecendo parcecias, especialmente com as sedes La Paz e Bogotá. Durante os encontros institucionais, o professor Aquiles Simões apresentou o projeto TEIA Latino-Caribenha e discutiu estratégias para consolidar uma rede latino-americana de pesquisa sobre inovação socioecológica.

A proposta busca integrar experiências territoriais da Amazônia brasileira, Andes, Caribe colombiano e América Central, formando agentes de inovação socioecológica e criando um observatório latino-americano dedicado ao monitoramento dos Sistemas Agroalimentares Resilientes e Sustentáveis, além das transformações ambientais e territoriais.

Ao final da missão, o pesquisador concluiu que os territórios visitados funcionam como “laboratórios vivos”, onde práticas tradicionais, crises ambientais e possibilidades de inovação coexistem. “O território do Rio Magdalena revela que a resiliência não está apenas em produzir alimentos, mas em sustentar relações”, afirma o professor.

O seminário consolidou-se como um espaço estratégico de reflexão crítica sobre sustentabilidade em territórios amazônicos e latino-americanos, modos de vida de populações tradicionais e educação como eixo estruturante de transformação socioecológica.

A agenda também dialoga diretamente com o campo de atuação do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia (PPGEDAM), especialmente no fortalecimento da formação crítica e interdisciplinar, na produção de conhecimento situado e na articulação entre pesquisa, extensão e cooperação internacional.